O Frio Que Vem de Dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve.
Teriam que esperar até o amanhecer, para poderem receber socorro.

By Jefferson Allan

Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam.
Se o fogo apagasse – eles o sabiam – todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira.

Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era um racista.
Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles era negro.

Então ele raciocinou consigo mesmo “aquele negro!
Jamais darei minha lenha para aquecer um negro”.
E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.

O segundo homem era um rico avarento.
Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida.
Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo bruxuleante, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.

Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou “eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso”
O terceiro homem era o negro.

Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento.
Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensinava.
Seu pensamento era muito prático – “é bem provável que eu precise desta lenha para me defender.

Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem”.
E guardou suas lenha com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha.

Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Ele pensou: “esta nevasca pode durar vários dias.
Vou guardar minha lenha.”

O quinto homem parecia alheio a tudo.
Era um sonhador.
Olhando fixamente para as brasas.

Nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.

O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais de uma vida de trabalho.
Seu raciocínio era curto e rápido.
“Esta lenha é minha.

Custou o meu trabalho.
Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos meus gravetos”.
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis.

A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou.
Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.

(Desconheço a Autoria)

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Bell-Taróloga