As Bolhas no Oceano da Existência

Vamos lembrar que tudo nesse mundo passa…que nós não somos desse mundo…que nada do que existe nesse mundo nos pertence…que é impossível qualquer um de nós desejar ter a posse de alguma coisa que pertence ao mundo.

Como o espírito não pertence a esse mundo, igualmente nada do que é desse mundo pode pertencer ao espírito.
Estamos aqui na matéria apenas por um curtíssimo espaço de tempo.
Viemos fazer alguma coisa aqui, realizar uma missão, cumprir certas tarefas, mas assim que se finda aquilo que precisamos realizar, já podemos ir embora.

Algumas pessoas desejam ganhar aqui, ficar aqui para sempre, gostam do mundo e querem se afirmar no mundo.
Os espíritos de luz são bastante enfáticos ao dizer que essa postura de tentar se afirmar no mundo, ter sucesso no mundo, se acomodar no mundo, gozar os prazeres do mundo, ficar pulando de um desejo ao outro…essa é a raiz de todo sofrimento que o ser humano pode experimentar.

Essa é a causa, a fonte do quinhão de lágrimas que degradam o ser humano e acabam por animaliza-lo, rebaixa-lo, torna-lo grosseiro e embrutecido.

É preciso entender que tudo nesse mundo é vazio.
Há uma metáfora no Budismo tibetano que ilustra a vida humana: dizem os mestres budistas que a existência material é como perseguir bolhas de ar no oceano.

As bolhas de ar são vazias por dentro…vivemos perseguindo essas bolhas e quando vamos agarra-las, elas estouram e retornam ao oceano.
O ser humano perdido que está nesse mundo vive dos intermináveis desejos até as frustrações mais obscuras…vai pulando de decepção em decepção, assim como um macaco desgovernado pula de galho em galho em busca de algo que ele nem entende o que é.

Passamos a vida em busca de conforto, estabilidade, segurança e prazer…sem desconfiar que a natureza da vida se caracteriza pela insegurança, pela dor e pelo desconforto.

Enquanto as pessoas não desistirem de continuar buscando as satisfações dos desejos nas bolhas vazias que sempre estouram depois, elas permanecerão presas nesse infindável sofrimento da roda dos nascimentos e mortes.

(Hugo Lapa)