Há um sentido profundo na superficialidade das coisas.
Uma ordem inalterável no caos aparente dos mundos.
Vibra um trabalho silencioso e incessante dentro da imobilidade das plantas:

No crescer das raízes, no desabrochar das flores, no sazonar dos frutos.
Há um aperfeiçoamento invisível dentro do silêncio de nosso eu:
Nos sentimentos que florescem, nas ideias que voam, nas mágoas que sangram.
Uma folha morta não cai inutilmente.
A lágrima não rola em vão.
Uma invisível mão misericordiosa suaviza a queda da folha.
Enxuga o pranto da face.
A poetisa paranaense Helena Kolody nos leva, de forma magistral, a uma breve viagem pela busca de sentido na existência.
Ela apresenta a postura humilde da criatura perante seu Criador, aceitando suas razões, suas leis, mesmo não tendo pleno entendimento delas.
O homem, ainda na adolescência do intelecto e na infância da moral, começa a descobrir que há um sentido profundo e maior em tudo.
Não há o acaso nem o caos na regência Divina do Universo.
A lei do trabalho diz que tudo trabalha no Cosmo.
Um operar silencioso e incessante encontrado desde os seres mais simples até os mais complexos.
Tudo trabalha rumo à harmonia, à ordem, ao entendimento.
Tudo se aperfeiçoa com o passar do tempo.
A lei do progresso estabelece o crescimento inevitável.
É uma força viva, que pode ser apenas retardado por um tempo, mas nunca evitado indefinidamente.
O aperfeiçoamento dentro de nosso eu é a conquista das virtudes da alma.
A cada instante na vida temos oportunidades de melhorar, de nos tornarmos mais maduros espiritualmente.
Essas conquistas vão nos trazendo, naturalmente, a felicidade.
A felicidade é proporcional à soma das perfeições alcançadas pelo Espírito.
Os bons sentimentos florescem.
As ideias nobres ganham asas.
As mágoas sangram e se curam, cedo ou tarde.
Nenhuma folha morta pende dos galhos enfraquecidos de nosso ser, sem ser amparada por mãos seguras no caminho até o chão.
Nossas lágrimas não rolam em vão.
Quando, com sabedoria, olhamos para nossa própria dor e perguntamos:
O que você deseja me ensinar? – estamos dando passo decisivo para a libertação do sofrimento que ainda devassa nosso íntimo aprendiz.
Uma invisível porém, sempre presente mão misericordiosa, suaviza a queda da folha, enxuga o pranto da face.
A Providência Divina é a solicitude de Deus para com as criaturas.
Nunca ficamos sem consolo, sem amparo e sem abraço.
(Redação do Momento Espírita, com versos do poema O sentido secreto da vida, de Helena Kolody, do livro Viagem do espelho, ed. Ócios do ofício)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga