Era uma vez uma mulher de meia idade chamada Maria das Dores.
Maria tinha muitos problemas na vida, e não sabia lidar com eles.
Seus filhos brigavam com ela, seu marido se divorciou, ela tinha frustrações profissionais, tinha doenças diversas e conflitos internos.

Maria ficava muito envolvida com seus problemas.
Sempre pensava muito em como solucionar seus males, ficava apenas se preocupando com isso; passava a vida inteira, quase 24 horas do seu tempo remoendo suas atribulações.
Era sempre “eu, eu eu”; “meus problemas, meus filhos, meu profissional, meu casamento, minhas fraquezas”, etc.

Certo dia, uma amiga foi visitar Maria das Dores.
Após ouvir Maria fazer um relato pormenorizado e detalhado que tudo que a incomodava, a amiga disse: Maria, você precisa parar de ficar pensando apenas nos seus problemas.
Perceba como esse é um comportamento um tanto egocêntrico, pois parece que só existe isso no mundo.
Venha comigo hoje visitar uma instituição.

Maria não queria ir, pois se sentia desgastada de tanto pensar em seus contratempos, mas acabou aceitando o convite.
Lá chegando, viu que se tratava de um hospital psiquiátrico público, e encontrou muitas pessoas em situação de profundo desespero.
Homens e mulheres vivendo muitos sofrimentos psíquicos, alguns impossíveis de serem definidos.
Maria conversou com vários e tentou ajuda-los.

No dia seguinte, a amiga levou Maria num asilo público de idosos.
Maria observou todo o descaso que os velhinhos são submetidos por suas famílias, que os abandonaram como se não mais prestassem.
Ela conversou, brincou e riu com muitos deles.
Pela primeira vez em sua vida, Maria sentia um alívio do peso dos seus próprios problemas.

No momento em que tentava prestar auxílio a pessoas enfermas, abandonadas, carentes e solitárias, ela não mais se sentia tão envolvida pelas adversidades de sua própria vida.
Maria e a amiga frequentaram várias outras instituições e organizações públicas e civis.
Com o tempo, Maria quase não se concentrava em suas dores, seus conflitos, seus pesares.
Ela havia percebido que estava tão focada em suas próprias mazelas que quase não conseguia enxergar a vida lá fora.

A partir do momento em que passou a olhar além e não ficar apenas debruçada em suas questões e preocupações, tudo começou a fluir melhor, e agora ela se sentia bem e leve.
A amiga de Maria disse que uma importante lição poderia ser tirada de tudo isso.

A amiga resumiu da seguinte forma:
“Nosso egoísmo em pensar apenas em nossos problemas aumenta muito a carga do nosso sofrimento.
Por outro lado, o nosso altruísmo em pensar mais no coletivo diminui muito nossa carga, alivia o fardo e nos ajuda na libertação dos nossos males.”

(Autor: Hugo Lapa)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga