jefferson-allan-20-11

Percepção da realidade

Certa vez, numa cidade do interior, chegou um grande circo.
Quatro cegos, passeando juntos, aproximaram-se do local onde o domador estava cuidando de um dos elefantes do circo.
Pararam e perguntaram ao domador se podiam tocar no animal, ao que ele concordou.

Um deles, mais alto, de braços erguidos, bateu na orelha do elefante; outro, encontrou a barriga; o outro apalpou a perna e o quarto segurou a tromba.
Logo depois voltaram ao seu passeio satisfeitos, porque agora sabiam o que era um elefante.

E foram conversando, até que pararam numa pracinha, sentaram-se num dos bancos e começaram a discutir sobre o elefante:
– Elefante é apenas uma espécie de ventarola grande, felpuda no meio e rugosa – disse o cego alto.
– Nada disso – retrucou o que examinou a tromba – eu examinei cuidadosamente o bicho.
Trata-se de um tubo maleável, pesado, forte e que se movimenta o tempo todo.
– Tudo errado! – falou o que tocara a perna – eu constatei que é uma pilastra firme e forte.
– Eu acho que vocês estão loucos – corrigiu o que apalpara a barriga – não perceberam que o elefante é como um enorme casco de navio, áspero e vivo?

E as discussões se seguiram, sem é claro, chegarem a nenhuma conclusão.

O que podemos concluir dessa pequena história:
Quanto menos parcial for a nossa percepção da realidade, mais chances temos de nos aproximar do todo e melhor entendermos a realidade à nossa volta.
E, ainda, se não somos flexíveis e procurarmos entender as razões do outro, não poderemos rever as nossas percepções e chegar a novos aprendizados.

(Desconheço a Autoria)