Jefferson Allan17.06

A Lamparina

Algumas de minhas irmãs trabalham na Austrália.
Numa reserva, entre os aborígines, havia um homem bastante velho.
Posso assegurar-lhes que vocês nunca viram uma situação de pobreza tão alarmante como a desse pobre ancião.

Todos o ignoravam.
Seu lar era desarrumado e sujo.
Por favor, disse-lhe eu certa vez, deixe-me limpar sua casa, lavar suas roupas e fazer sua cama.
Estou bem assim, respondeu ele, não se preocupe.

Pois ficará ainda melhor, insisti, se permitir que eu faça isso.
Ele concordou finalmente.
Pude, portanto, limpar sua casa e lavar as suas roupas.
Encontrei no meio da bagunça uma lamparina inteiramente coberta de poeira.
Só Deus sabe o tempo transcorrido desde que o homem a acendera pela última vez.

– O senhor não acende a sua lamparina? – perguntei-lhe.
Não costuma usá-la?

Não, respondeu ele, não recebo a visita de ninguém.
Não preciso de luz.
Para quem deveria acendê-la?

– O senhor a acenderia todas as noites se as irmãs passassem a visitá-lo?
– Naturalmente!
Respondeu ele.
Desse dia em diante, as irmãs combinaram entre si, visitar o pobre ancião todas as noites.
Dois anos se passaram.
Eu tinha esquecido completamente esse homem, quando ele enviou esta mensagem:
“Contem à minha amiga, que a luz que ela acendeu em minha vida continua brilhando.”

(Madre Tereza de Calcutá)