Narra-se que um devotado trabalhador do Cristo adormeceu, certa noite, após as preces e rogativas habituais.
Desenovelando-se do corpo físico, o Espírito buscou paragens amenas da Espiritualidade, para a recomposição das energias espirituais, enquanto o vaso carnal repousava, igualmente se recompondo.

Viu-se o servidor, repentinamente, em paisagem que lhe parecia celestial.
O céu de um azul profundo concedia um toque todo especial ao quadro de flores delicadas, aveludado tapete de relva e árvores amigas.
Debaixo de uma árvore frondosa, divisou ele um homem esbelto, de porte majestoso.

Aproximou-se e sensibilizado reconheceu Jesus, o Mestre.
Jesus parecia mergulhar o olhar na imensidão.
Havia serenidade em Sua face.
Contudo, havia sinal de lágrimas nos olhos doces.

O servidor respeitoso ousou perguntar:

  • Mestre, por que choras?

E porque não houvesse imediata resposta, tornou a falar o trabalhador:

  • Choras, acaso, por causa dos perversos?
    Tuas lágrimas se destinarão talvez aos que astuciosos, promovem o mal, governando mentes em ignorância?

O silêncio do Mestre se estendeu um pouco mais.
Foi, então, que o bom homem indagou:

  • Serão, porventura, Tuas lágrimas para aqueles que Te crucificaram e para os quais rogaste o perdão de nosso Pai?

A palavra clara e firme de Jesus se fez então ouvir:

  • Filho, as minhas lágrimas exprimem o lamento por todos aqueles que, conhecendo as minhas palavras e os meus ensinos, prosseguem cometendo desatinos, afligindo a Humanidade.

Choro por aqueles que mesmo tendo os centros da razão iluminados pela inteligência e pelo raciocínio lúcido, não adquiriram a consciência do dever que o conhecimento proporciona.

Lamento os que recebem o brilho da informação, mas não desfrutam da experiência da vida feliz.
Os que afirmam conhecer meus ditos, mas carecem de sabedoria e prosseguem a se comprometer, errando com constância.

Lamento-os, meu filho, porque todos eles padecem de enfermidades da alma e muitas serão as dores que deverão colher, no transcurso das vidas, até despertarem verdadeiramente para a luz.

O servidor fiel despertou na carne, ergueu-se disposto e retornou aos labores de serviço ao próximo, guardando n´alma a certeza de que a lição viva da sabedoria reside em aplicar à própria vida o aprendizado das letras evangélicas, a fim de fruir a paz nos dias mais próximos.
O próprio Jesus advertiu que de nada adiantaria falar e não fazer.

Nas anotações do Evangelista Lucas lemos: E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?
O Evangelho é um código de bem viver e a aplicação de suas leis na vida diária é a fórmula para equacionar todos os nossos problemas.

(Redação do Momento Espírita com base no cap. Ignorância e sabedoria, do livro Suave luz nas sombras, pelo Espírito João Cléofas, psicografia de Divaldo Pereira Franco)