
O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual.
Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão.
A seguir precisei de tempo para escrever.
Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual.
E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus.
Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.
Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira.
E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo.
Não é que eu não me ire ou perca o controle.
O que eu não dou é campo à ira.
Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo.
Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la.
Como consigo?
É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.”
Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza.
A verdadeira felicidade é impossível sem verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula.
Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle.
Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza.
A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam.
Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam.
Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor.
Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar?
O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo.
Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos.
Nada mais longe do meu pensamento que a ideia de fechar-me e erguer barreiras.
Mas afirmo, com todo respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientemente seguir, e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa.
Um aprendizado acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada.
A minha religião proíbe-me de diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil, na necessidade de assimilar e viver a vida.
(Gandhi)