Mestre, Falemos dos Filhos
Dizem que em certa ocasião, uma mulher que levava uma criança nos braços, propôs a Gibran:
– “Mestre, falemos dos filhos”.

E ele respondeu:
– Seus filhos, não são seus filhos.
São os filhos e as filhas dos desejos que a vida tem de si mesma.
Vem através de vocês, mas, não de vocês e, ainda, que vivam com vocês, não lhes pertencem.
Podem dar-lhes seu amor, mas, não seus pensamentos, pois, eles têm seus próprios pensamentos.
Podem abrigar seus corpos, mas, suas almas, porque, suas almas moram na casa do amanhã, que nem mesmo em sonhos lhes será permitido visitar.
Podem empenhar-se para ser como eles, mas, não tentem fazer como vocês fizeram, porque, a vida não anda pra trás, nem se detém no ontem.
Vocês são o arco por meio do qual seus filhos são disparados como flechas vivas.
O arqueiro vê o alvo sobre o caminho do infinito e dobra o arco com toda a força, a fim de que suas flechas partam velozes e para muito longe.
Que o fato de estarem nas mãos do arqueiro seja para suas felicidades, porque, assim, como ele ama a flecha que dispara, ama, também, o arco que permanece firme.
Por isto, vocês tiveram a liberdade de amar e a oportunidade de viver e fazerem suas vidas.
Deixem que seus filhos voem sós de seus ninhos quando chegar a hora e não lhes reclamem para que voltem.
Eles os quererão para sempre e terão, também, seus lares, nos quais, algum dia, ficarão sós, porém, terão sido seus lares e suas vidas.
Deixem-nos livres.
Amem-nos com liberdade, não apaguem o fogo de suas vidas.
Vivam e deixem viver, assim, eles os quererão sempre.
(Gibran Kahlil Gibran)
Grande beijo no coração
Bell-Taróloga