Quem de nós já não se decepcionou com um amigo?
Alguém a quem se entregou o coração e, em algum momento, nos traiu a confiança ou nos voltou as costas?
Alguém de quem esperávamos todo o apoio e nos falhou, na hora precisa?

Qualquer uma dessas circunstâncias nos magoará e se constituirá em quebra da afeição.
Por essa razão, a lição de dois meninos é tão marcante.
Eles haviam nascido no mesmo dia, mês e ano.

Um era judeu.
O outro, alemão.
Nove anos era a idade deles.
Um era natural da Polônia e habitara uma casa, com vários cômodos, em cima da relojoaria do seu pai.

Um dia, tudo lhe foi tirado e ele se viu prisioneiro, em meio a outros milhares, padecendo fome.
Para vestir, um estranho pijama listrado, com boné no mesmo padrão.
O outro nascera em Berlim, vivera numa casa muito grande, de três andares.

Agora, residia no campo e vivia a reclamar da casa menor e da falta de amigos.
Encontraram-se, um dia, um de cada lado de uma interminável cerca de arame farpado.
Bruno, o menino alemão, se sentia solitário e se pôs a conversar com o outro.

Nenhum dos dois entendia muito do que acontecia ao seu redor.
Mas se tornaram amigos.
Viam-se todas as tardes.
Um dia, ao entrar em casa, Bruno viu ali o amigo do pijama listrado.

Lustrava os cristais com seus dedos miúdos.
Bruno se serviu de um lanche e ofereceu ao outro, sempre faminto.
Mal colocara na boca um pedaço de frango, adentrou a cozinha um oficial.
Vendo que o pequeno prisioneiro estava comendo, o inquiriu, de forma grosseira, acusando-o de furtar comida.

Sem malícia alguma, o menino disse que fora seu amigo quem lhe ofertara o lanche.
Mas Bruno estava tão assustado com a truculência do oficial, com a inquirição que lhe era feita, que se deixou tomar pelo pavor.

E, apavorado, negou conhecer o outro, negou ter-lhe dado comida, o que, para aquele valeu violento castigo.
Dias passados, Bruno retornou ao local onde costumava encontrar o amigo.
Havia tristeza e muitos hematomas no rosto do aprisionado.

Peço desculpas, disse Bruno.
Tive muito medo, naquele dia.
Você ainda quer ser meu amigo?

E, então, a mão esquálida do judeu se estendeu para o lado de fora da cerca.
Bruno a apertou.
Era a primeira vez que se tocavam.
Era o toque da amizade sólida, que sempre perdoa.

Amizade é um exercício de amor.
Amor de amigo é inigualável.
Já disse Jesus, ao seu tempo, que o amigo dá a sua pela vida do amigo, santificando assim esse sublime sentimento.

Por isso, o amigo perdoa as fraquezas do outro, perdoa as suas falhas e continua amigo.
Felizes aqueles que enflorescem a alma com amizade, enriquecendo-se de paz, granjeando gratidão pelos caminhos que percorre.

(Redação do Momento Espírita, com base em cenas do filme O menino do pijama listrado)

Grande beijo no coração
Bell-Taróloga