O garoto de não mais de cinco anos entrava na igreja, puxado pela mãe.
Percebia-se que ele estava contrariado.
E demonstrando a razão da sua contrariedade, o ouvimos perguntar:

  • Se Deus me aceita como eu sou, então, me diga: por que eu precisei tomar banho para vir à igreja?
    Pode-se levar a indagação à conta dessas coisas de criança.
    Ou podemos realizar uma profunda reflexão, a respeito dos nossos métodos de educação que, diga-se, insistimos em afirmar não dão os resultados excelentes que desejamos.

A criança pensa e faz perguntas inteligentes, coerentes.
O que, de um modo geral, ocorre é que, sem argumentos na hora da indagação, respondemos de forma autoritária ou sem fundamento.
Isso, naturalmente, vai levar nosso pequeno a concluir que não temos razão, ou que somos tolos.

Quase sempre, quando a criança nos pergunta por que deve fazer alguma coisa, desejando nos vermos livres, de imediato, da questão, utilizamos a tradicional frase: Eu estou mandando.
Ponto final.

Isso não educa, nem estimula nossa criança a voltar a indagar, em outras situações.
É possível que, no futuro, ela se torne uma pessoa que simplesmente aguarda e obedece ordens.
Afinal, foi assim que a educamos na infância.

Melhor seria, embora nos exija investir um certo tempo, sempre explicar os porquês.
Por que deve tomar banho, escovar os dentes?

  • É uma questão de higiene, de saúde.

Por que deve guardar os brinquedos?

  • Para cooperar com a organização do lar, para não ter a desagradável possibilidade de alguém pisar em um deles e quebrá-lo, ou se machucar.

Por que deve dormir cedo?

  • Porque ele deve também se levantar cedo para ir para a creche, para a escola.

Mas, convenhamos, para isso, é preciso que, ao exigirmos ou pedirmos que algo seja feito, tenhamos a consciência do porquê assim procedemos.
Necessitamos de decisões conscientes, não mecânicas.

Nem disposições como: Eu fui criado assim e tem que ser assim, o que não é resposta aceitável.
Se fui criado assim e deu certo para mim, então a indagação deve ser: por que deu certo?

Porque era a forma acertada de orientar, de disciplinar ou porque eu simplesmente me resignei, aceitei, sem maiores questionamentos?

Pensemos nisso e invistamos na educação dos nossos filhos, se os desejamos cidadãos conscientes, ativos.
Assim, eles irão à escola e não serão joguetes de ninguém.

Conquistarão seu espaço, estabelecerão os seus limites e exigirão o respeito dos demais.
Porque isso eles aprenderam no lar.

Saberão perguntar, questionar, indagar, conscientes de que é o seu direito serem informados do porquê as coisas devam ocorrer dessa ou daquela maneira.

E saberão respeitar normas, diretrizes, disciplinados que os educamos.
Pensemos nisso e iniciemos o investimento de luz nesse patrimônio excelente que são as jóias celestes que o Pai nos confiou, para guarda, crescimento e progresso.

(Redação do Momento Espírita)