A dúvida é o caminho da sabedoria.
Aquele que duvida de tudo, até mesmo da própria dúvida, chega a certeza de que nada sabe, e nesse momento… se inicia a sabedoria.

Através da mentira pode-se chegar a verdade.
De tanto que vivemos a mentira em toda a nossa vida; de tanto que a mentira nos sufoca, nos ilude, nos engana, nos sabota, começamos a abrir os olhos, ainda que de forma tímida, para entrever a verdade.
Por meio do tempo seguimos um trajeto rumo à eternidade.
O tempo passa, tudo acontece, os fenômenos fluem, as situações mudam, tudo se forma e perece, tudo vai e vem, tudo começa e termina, as coisas existem e deixam de existir.
Nesse ciclo infindável da temporalidade, começamos a sentir um pouco da inefável natureza da eternidade.
Vivendo intensamente a prisão da carne iniciamos nossa jornada rumo à liberdade.
O cativeiro terrestre nos prende, nos oprime, nos aperta, nos esmaga, nos escraviza.
Sentindo o cárcere dos desejos e dos sofrimentos do mundo vamos aos poucos nos soltando, nos elevando e, sem embargo, vamos atingindo a leveza da libertação espiritual.
Mergulhados nas trevas começamos a peregrinar em direção à luz.
No túnel escuro e aterrador do vale de lágrimas do mundo, tudo parece perdido, estranho, vazio, sem sentido.
Nesse momento, diante da tamanha escuridão, vislumbramos a luz que nos guia pelas vias da plenitude.
Quanto maior a escuridão desse mundo, mais brilhante será a luminosidade.
Das densas trevas começamos a enxergar a luz.
Perdidos pelos labirintos do mundo é que acabamos por nos encontrar.
O ser precisa antes se perder para só depois se encontrar.
Quem não se perde, não pode se achar.
Perdendo-se dentro das estradas limitadas da existência humana é que a alma começa a encontrar-se no infinito sem caminhos.
Viajando por todos os lugares chegamos a lugar nenhum.
Nesse lugar sem lugar descobrimos que não se caminha para fora, mas sim para dentro de nós mesmos.
Percorremos o mundo, peregrinamos pelo cosmos para descobrir que não saímos do lugar, não saímos de dentro de nós. A única viagem possível é aquela que vai para o interior, para a essência de nosso ser.
Seguindo pelas ilusões e miragens do mundo alcançamos a plena realidade.
É percorrendo a ilusão que se chega ao real; é pelo esgotamento da miragem que se vê a realidade.
Precisamos cair mil vezes nos sonhos, nos devaneios do mundo, nas aparências que ludibriam, envolvidos pelas quimeras e ficções da existência para só depois descobrir o verdadeiro, o essencial, o real.
De tanto cair no poço fundo e vazio da ilusão acordamos finalmente para a realidade.
É por intermédio da morte no mundo que atingimos o renascimento no ser.
Morremos muitas vezes para aprender a não mais morrer.
Precisamos passar milhares ou milhões de vezes pela morte para entender que nossa essência não morre.
Vivemos, morremos, nosso corpo se degrada, e aos poucos vamos renascendo, morrendo para deixar de morrer, decaindo na existência para deixar de perecer.
Assim, gradualmente, vamos alcançando a verdadeira vida…vamos atingindo a imortalidade.
(Autor: Hugo Lapa)