Acusação prejudicial

Por vários anos a empregada vinha sendo considerada eficiente, honesta e digna de confiança.
Certa tarde, o patrão comunicou que iria receber a visita de um amigo para o jantar e pediu a ela que preparasse dois galetos, arroz e uma boa salada.
A moça preparou os frangos muito bem, fez a salada e o arroz.
Quando os galetos começaram a dourar, ela o avisou que tudo estava pronto e indagou se já podia servir a mesa.
– Ainda não, o meu amigo não chegou; é melhor retirar os frangos por um pouco e mais tarde volte-os para esquentar.

Voltando aos galetos, em pouco tempo eles estariam prontos e a moça achou que não teria problema algum experimentar um pedaço bem ao jeito do patrão.
Tomou um aperitivo e comeu as asas.
Não aparecendo ninguém, ela tomou outro aperitivo e comeu outros pedaços, até que nessa intercalação acabou por comer os dois galetos inteiros.
Chega o patrão e manda servir a mesa, enquanto ele afiaria uma faca para cortar o assado.

A empregada, em pânico, procurava uma ideia salvadora para se justificar e ainda garantir seu emprego…
Toca a campainha. Era o convidado que chegava para o jantar.
Foi nesse momento que a brilhante ideia explodiu:
– Olha, acho bom o senhor nem entrar porque o patrão lhe armou uma cilada. Veja só como ele está afiando uma faca para lhe tirar a vida…

Vendo-o, realmente, afiando a faca lá no interior da casa, o amigo não conseguia acreditar na informação, porém, as evidências comprovavam aquilo que a moça dizia.
Saiu em disparada.
Nisso, a empregada volta e vai até onde se encontrava o patrão e, com ares de susto, lhe diz friamente:
– Patrão, o seu convidado é de fato seu amigo?
Faço esta pergunta porque nem consigo crer no que acabo de constatar…ele acaba de fazer uma coisa imperdoável! Imagine o senhor que ele chegou e eu o fiz entrar, mas enquanto me voltei para concluir minha tarefa, ele saiu correndo porta afora, carregando a travessa que continha os dois galetos!

– Olha aqui: você tem certeza que ele fez mesmo isso?
Não há qualquer possibilidade de engano?
Ele é meu amigo há muitos anos e eu sempre depositei nele a mais completa confiança.
Muitas outras vezes ele já tomou refeições aqui em casa e nunca fez nada que desabonasse a sua conduta…
– Pois é, patrão, mas há sempre uma primeira vez.
Se o senhor está duvidando, é só conferir…
Cadê os dois galetos?

Esta história é muito simples, mas retrata um fato tão comum no nosso cotidiano.
“Colocar a culpa no outro”
E o pior é que os outros acreditam.
Quantas pessoas são prejudicadas por causa disso?
É incrível notar como o ser humano, para se defender de um erro, é capaz de envolver terceiros, sem se importar com o que possa lhes acontecer.
Realmente, quantas intrigas, inimizades, acusações prejudiciais têm acontecido injustamente por causa de envolvimentos dessa natureza.

(Desconheço a Autoria)