Jefferson Allan17.07

Diálogo Sobre o Amor

A jovem discípula acercou-se do mestre e, ruborizando-se, pediu-lhe que falasse do amor.
O Sábio sorriu, e, desculpando-se, perguntou-lhe o que ela considerava como sendo o amor.
Emocionando-se, a aprendiz explicou:Compreendo o amor, como sendo a ânsia que experimentam as praias, que aguardam os beijos sucessivos das ondas contínuas do mar.

Como a sofreguidão que tem a raiz de introduzir-se no solo, a fim de sustentar a planta.
Como a expectativa da rocha que anela pela carícia do vento, embora se desgaste com isso.
Como o desejo descomedido da terra crestada, pela generosidade da chuva.

Como a flauta aguarda pelo sopro que lhe arranca das entranhas a doce melodia.
Como o barro esquecido pede ao oleiro que lhe dê forma e beleza.
Como a semente que necessita despedaçar-se, para libertar a vida.
Como a lâmpada apagada que exige a energia para brilhar.

O amor é o sangue novo para o coração e o vinho bom para aquecer a criatura, quando o frio lhe enregela a vida. Assim vejo e sinto o amor.
– E vós, como vedes o amor? Perguntou a discípula ao mestre.
O amor é o doce e compreensivo companheiro da criatura em todos os dias da sua vida.
Quando se é jovem, o amor se apresenta, ardente e apaixonado, como no teu caso.
Mas evolui com o passar do tempo.
O amor é calmo e ameno.
Não incendeia paixões; dulcifica-as.

Confundido com o desejo, permanece, quando este passa.
Nunca se irrita; porque espera.
Considerado como instinto, persiste, quando descoberto pela razão.
Jamais perturba; pois que felicita e produz harmonia.

O amor é claridade que permanece; é pão que nutre; é vida que se irradia da vida.
Mesmo quando não identificado, encontra-se presente, porque, sem ele, a vida não existe ou perderia o sentido de ser.
A jovem ardente empalideceu e, submissa à voz do amor, pediu ao mestre:
– Ensina-me a amar.
Eu agora corro em busca do amor, sem dar-me conta que, em mim, ele se deve irradiar, abrangente, em todas as direções.
Não te apresses no amor, e descobrirás que já começaste a amar, quando sentires necessidade de doar e doar-te sem desejares receber nada em retribuição.

(Psicografia de Divaldo Pereira Franco)