Jefferson-Allan157

Coração de Mãe

Dizem que quando a Terra foi criada fazendo-se possuída pelos filhos da vida que vinham de outros mundos,
tudo na estrada humana, cortando a imensidão dos campos infecundos.
Era a dominação do ódio que se aferra à dissenção, à morte, ao desespero e à guerra .

Foi quando um mensageiro do Céu às criaturas, regressou às Alturas e disse humildemente ao Grande Deus:
– Senhor! O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais tardo ao gênio mais precoce, tudo na terra é luta em conquistas da posse.
Compadece-te oh! Pai!
Veneno, flecha e clava formam no mundo inteiro a humanidade escrava, da descrença, do mal, da impiedade e do crime,
sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se aguenta ouvir os urros do mais forte e o choro dos vencidos, pisados, massacrados e caídos nos sarcasmos da morte.
Que fazer, Grande Deus, nas trevas dessa luta, em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?

Revelou-se que o Pai de infinita bondade, pensou, por muito tempo, e disse, comovido:
– Aceito, filho meu, quanto me falas, entendo-te o pedido!
Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças, os que morrem no mal renascerão crianças, a Terra evoluirá, ponderou o Senhor.
Ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça, instalarei no mundo a força da Justiça e para que haja amor exterminando o orgulho, sem pancada, sem grito, sem barulho, enviarei alguém, que ame os filhos meus, com o meu amor ao bem,
na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer, cultivando o perdão como simples dever.

Dizem que foi assim que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens, e conforme o Senhor mandou e prometeu, entre as rudes mulheres dos selvagens, o Coração de Mãe apareceu.

(Chico Xavier/Maria Dolores)

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